Entrevista com Drika Ooki




Para fazer uma série de TV como "As aventuras de Fujiwara Manchester" precisamos de uma equipe supimpa, com artistas muito talentosos.

Drika Ooki é uma dessas artistas. Ela é uma jovem animadora e designer paulista, e já trabalhou em várias produtoras e estúdios. Participou em séries de TV, curtas e comerciais. 




Atualmente ela é Supervisora de Animação na nossa série, que tem estréia prevista para início do ano que vem. 

A Drika nos contou um pouco sobre sua formação e carreira (além de descrever seu método de trabalho). Confira!


1. Oi Drika! Qual é a sua formação? Como se tornou animadora?


Acho que nem sempre foi um caminho de certezas.
Sempre me interessei muito por animação quando era mais nova, mas não tinha certeza se era possível trabalhar com animação no Brasil, mas como também me interessavam outros tipos de arte como ilustração e quadrinhos, optei por fazer o curso de Artes Visuais da Unesp.
Quando eu estava no 2° ano da faculdade tive a oportunidade de trabalhar com o Alê Abreu, no longa “O Garoto Cósmico” e foi uma experiência incrível, me encantou muito acompanhar o trabalho da produção, desde as intervalações em papel até a composição do filme no computador, então depois desse trabalho eu vi que eu gostava muito e que era possível trabalhar com animação.
A partir daí eu busquei ao máximo trabalhar com animação, começei a estudar after effects e flash porque achei que eram úteis, daí pegava alguns trabalhos pequenos como vinhetas, cenas 2d pra curtas, animação cut-out pra clipes musicais e séries de tv, mas foi após o curso voyage da Melies (do zero ao curta) que acabei entrando no mercado animação 3d e venho trabalhando com isso desde então.


2. Quais são seus animadores favoritos? Como eles te inspiram?


Acho que essa pergunta tem duas respostas a resposta mais conhecida e esperada e uma resposta mais particular. Existem aqueles nomes que já são conhecidos e são referência pra muitos profissionais e estudantes da área, que são: Milt Kahl, James Baxter, Hayao Miyazaki, Sérgio Pablos, Sandro Cleuzo, Glen Keane, Eric Goldberg...
Acredito que pela excelência do trabalho deles, pelo tanto que aprendemos com as cenas deles e pelo tipo de mentalidade e profissionalismo que tem com relação ao trabalho e durante o processo de trabalho.
E também pelo mesmo motivo existe a resposta mais pessoal, que são pessoas que também tem um trabalho de alto nível e com quem tive a oportunidade de conviver. Acho importante saber e valorizar que temos muitos profissionais bons no Brasil. Pessoas que me inspiram até hoje e tive a sorte de trabalhar com, dentre elas: o Alê Abreu, agora diretor premiado de Annecy, o Ivan Oviedo, que agora está animando e aprendendo um monte na Disney, o Paulo Ignez, concept designer e animador incrível com quem tenho aprendido muito nesses últimos anos .
E até hoje pessoas com quem convivo diariamente me inspiram muito porque posso acompanhar de perto suas trajetórias e aprender com isso, mesmo agora na equipe da Buba, sempre tem alguém que sabe alguma coisa que eu não sei ou trazem questões que eu ainda não tinha levantado, então assim a gente vai evoluíndo junto nessa troca diária.


3. Como é animar uma cena da série "As aventuras de Fujiwara Manchester"? Fale um pouco sobre o processo.


É sempre divertido e intenso. Divertido pela história, gosto da temática de aventura e de agentes enfrentando aliens, além disso, com o tempo a gente acaba se apegando aos personagens e querendo saber o que acontece com eles, então isso é um motivador a mais, é bom ter uma história que seja envolvente assim.
Por outro lado o trabalho também é intenso, porque temos um ritmo puxado de animação, a meta é de 6 segundos por dia, além disso também cuidamos do layout, testes de personagens novos, library e vez ou outra a implementação de uma ferramenta, provavelmente um plugin pronto, como o picker.
Na Buba nós recebemos as cenas e pegamos o briefing direto com o diretor assim já olhamos o storyboard e conversamos a respeito do que ele quer da cena, qual a intenção dos personagens. Esse contato é muito bom porque minimiza as chances de perder ou distorcer a intenção do que o diretor quer da cena, nós pegamos a informação na fonte, também ajuda o fato do Alê fazer caras e bocas, fica mais fácil visualizar o que ele realmente quer. haha!
A medida que soltamos os vídeos com o progresso das cenas nós apresentamos elas nas reuniões. Temos 2 reuniões durante a semana com horários fixos em que todos participam incluindo o diretor, ter essa deadline curta e definida ajuda a manter o ritmo da produção e a nos organizarmos melhor.


4. Além de animadora, você também é designer de personagens e ilustradora. Uma coisa influencia a outra?




Sim, com certeza. Animação nada mais é do que uma sequencia de imagens que criam a ilusão do movimento, então ter esse conhecimento nos ajuda a estar atentos à uma série de questões fundamentais para uma boa cena, como, layout, staging, silhueta, expressão facial e corporal, linha de ação, poses …
A habilidade de desenhar também facilita no planejamento das cenas, podemos testar poses no papel, que são bem mais rápidas e intuitivas de fazer que no 3d. Com poses desenhadas também é mais fácil exagerar mais uma linha de ação ou uma pose, quando só pegamos o personagem 3d sentimos restrições de até onde o rig vai e nos prendemos à ele, mas o desenho não tem rig, nem limites.
Por útlimo existe o intercâmbio de conhecimento, coisas que você aprende desenhando de repente você percebe que pode aplicar na animação e vice versa, assim como bons animadores passam a ter bons olhos para desenho, mesmo que não desenhem.


5. O que você vê a Drika do futuro fazendo, digamos, daqui a uns 10 anos?


Espero que seja tudo muito diferente dentro das mesmas coisas que eu faço hoje, hehehe.
Com certeza quero estar melhor em qualidade e mais madura naquilo que faço como profissão, seja ela animação ou ilustração.
Também gostaria de alternar mais o trabalho com períodos profundos de estudos, dar aulas para assentar o que aprendi e compartilhar essa experiência e por fim, ter mais tempo para projetos pessoais.


5. Você tem alguma dica para quem quer trabalhar com animação?

Invista em você e estude. Se está estudando animação (e a gente nunca pára de estudar) mostre suas cenas e peça feedback ou para colegas de trabalho ou para seus professores. Se ainda não está estudando animação mas quer, existem muitos rigs gratuitos disponíveis e muito conteúdo informativo em blogs para voce iniciar os estudos, experimentar um pouco e ver se é esse mesmo o caminho. De resto, boa sorte! :)