Entrevista com Rodrigo Domingos


Rodrigo Domingos é um talentoso compositor com muita experiência na criação de trilhas sonoras. Sua música pode ser ouvida em comerciais, videos institucionais, curta-metragens e séries. 

Em 2010 ele compôs a emocionante trilha musical do premiado filme Os anjos do meio da praça, dirigido por Alê Camargo e Camila Carrossine. 

E agora ele está criando a trilha instrumental para a série de TV "As aventuras de Fujiwara Manchester", que estréia em breve. 




Conversamos com Rodrigo e ele nos falou um pouco sobre sua música. 

Confira: 

Salve Rodrigo! Conte-nos um pouco sobre você. Como se tornou compositor?
Alô! Comecei oficialmente um relacionamento sério com a música aos 9 anos de idade, estudando violão por conta própria e desde então foi praticamente a única coisa que me importava de verdade. 

Pesquisando e aprendendo fervorosamente e sozinho, no início da caminhada, tudo o que estivesse ao meu alcance sobre música, descobri a irresistível vontade de criar as minhas próprias sonoridades e idéias musicais desde cedo. 

Após isso cursei conservatórios, faculdade e acumulei experiências musicais pela vida, mas depois de uma jornada relativamente longa como instrumentista, sempre compondo, mergulhei fundo na área da composição de trilhas sonoras, o que me faz extremamente feliz e realizado.

Quais são seus compositores favoritos? Como eles te influenciaram?

Posso citar inúmeros compositores que para mim são fantásticos. Mas eu diria que, os que realmente mais me fascinam e me influenciaram são John Williams, Heitor Villa-Lobos e Johann Sebastian Bach.

John Williams com sua genialidade temática e idéias inspiradíssimas capazes de traduzir perfeitamente em forma de música, o mundo das imagens e sentimentos.

Villa-Lobos com sua capacidade de compor com uma criatividade, liberdade e profundidade incomparáveis, rompendo com os padrões tradicionais, mas mantendo a capacidade de tocar os sentimentos mais nobres das pessoas.

E Bach, com sua maestria sem igual de construir melodias, contrapontos e caminhos harmônicos de uma maneira tão perfeita e profunda que realmente parece ter mantido sempre uma conexão com o divino.



Nos fale um pouco sobre seu processo criativo.

Esta é uma questão muito pessoal, mas para mim o que funciona é deixar a mente criar as primeiras idéias musicais de uma maneira muito natural e instintiva, sem acorrentá-las com regras e formas.

 Os processos que fazem parte e que constroem uma composição musical como orquestração, caminhos melódicos e harmônicos surgem praticamente simultâneos às idéias iniciais, sendo desenvolvidas e definidas cada vez mais no decorrer do processo criativo.  

A razão e o instinto devem andar juntos em minha opinião. Usar as regras já existentes da música de uma maneira espontânea. Só assim é possível o equilíbrio e um resultado que realmente toque os sentimentos das pessoas.

Que tipo de música você está criando para a série do Fuji? Que surpresas o público pode esperar?

Estou procurando criar uma música que possa representar o mais emocionantemente e fielmente possível esse incrível seriado. Indo da aventura, suspense, passando pelo medonho, divertido até o emocionante e romântico, espero causar, através de uma trilha sonora com sonoridade principalmente orquestral, as mais diversas emoções nas pessoas.

Você tem alguma dica para quem quiser se tornar compositor?

Na verdade creio que você não se torna um compositor, mas sim nasce com a vontade de criar música. Mas para quem possui essa vontade natural de “inventar” música, recomendo conhecer e estudar todas as linguagens musicais possíveis, ouvindo muito e absorvendo e aprendendo tudo sempre da maneira muito aberta. Claro que acabamos sempre ouvindo mais a linguagem que mais se identifica conosco.Seguir sempre as melhores referências, aprender com elas mas, o mais importante é criar uma personalidade própria. Influências são naturais mas quem define sua arte são as suas idéias, sempre.